DESMISTIFICANDO BITCOIN
Texto original publicado em 2025
https://zenodo.org/records/15485938
O Mito dos 21 Milhões de Bitcoins
Todo entusiasta de Bitcoin já ouviu falar: “Só existem 21 milhões de bitcoins.”
Essa frase é repetida como um mantra e reforça a ideia de que “não vai ter
Bitcoin pra todo mundo”. Mas será que isso é mesmo verdade?
Satoshi Nakamoto criou a tecnologia com regras bem definidas e uma delas
diz que o número total de bitcoins inteiros não pode ultrapassar 21 milhões. Só
que aí entra um detalhe que muita gente ignora: essa informação, embora
tecnicamente correta, esconde um mito , o de que existem apenas 21 milhões
de coisas indivisíveis chamadas “bitcoins”. Mas isso não é bem assim.
Antes de tudo, precisamos lembrar que Bitcoin é um software. Um programa
que roda uma base de dados compartilhada (o famoso blockchain). Nele, os
“bitcoins” são apenas representações numéricas, literalmente código.
Na prática, existem 2,1 QUADRILHÕES de unidades mínimas chamadas
satoshis , sendo que cada 1 BTC contém 100 milhões de satoshis. Ou seja,
quando dizemos que o Bitcoin tem 21 milhões de unidades, estamos falando de
uma simplificação. O número real de unidades negociáveis é absurdamente
maior.
Outro ponto importante: Bitcoin não é exatamente o nome do token. Assim
como “metro” é uma unidade de medida de comprimento, ou “real” é uma
unidade de valor, “bitcoin” é uma unidade de medida de satoshis. Dizer que
alguém tem 0,001 BTC é o mesmo que dizer que tem 10 centavos de real. A
escala não muda o fato de que a pessoa possui uma fração de um todo.
Então, a ideia de que o Bitcoin é escasso porque só existem 21 milhões de
“moedas” indivisíveis é, no mínimo, imprecisa. A realidade é que o sistema tem
espaço para atender a população mundial inteira, e ainda sobra.
Outro Mito: O Fim da Mineração
Um mito que ainda circula entre leigos é que o Bitcoin vai deixar de ser
minerado quando os 21 milhões forem “atingidos”. Como já explicamos, na
verdade existem quadrilhões de unidades, então esse argumento por si só já é
fraco.
Mas sim, existe um limite de criação de novos bitcoins. Só que isso não
significa que a mineração vai acabar por impossibilidade. O mais provável é
que ela vá deixando de ser economicamente viável. A recompensa por minerar
vai diminuindo a cada halving, e com o tempo, pode não valer mais o
investimento, ainda mais com a chegada de novas tecnologias que tornarão a
mineração algo simples, acessível e talvez até cotidiano.
Hoje é preciso hardware especializado. No futuro, pode ser que qualquer pessoa
consiga minerar usando um dispositivo simples. Talvez com computação
quântica, talvez com chips mais avançados e baratos. E isso vai forçar as
grandes mineradoras a se adaptarem ou saírem do mercado.
E não, isso não é uma previsão maluca: é apenas acompanhar a curva
natural da tecnologia.
A Manipulação Existe, Sim
Outro mito comum: o de que o mercado do Bitcoin é “livre de manipulação”.
Isso é falso. É claro que existe manipulação tanto para cima quanto para
baixo. Falo mais sobre isso no meu livro Bitcoin: Tudo Que Você Precisa Saber,
onde explico as dinâmicas de oferta, demanda, sentimento de mercado, e o
papel das baleias.
A diferença é que, por causa do tamanho e força da rede Bitcoin, essa
manipulação é menos visível graficamente e menos eficaz a longo prazo.
Ainda assim, ela existe. Só que o mercado é tão resiliente, que mesmo com
manipulações, ele permite que pequenos participantes os “ratos”
consigam vencer os “gigantes” em certos momentos.
O Dono Invisível
Por fim, o mito mais popular: “Bitcoin não tem dono”. Isso é verdade em
parte. O banco de dados é realmente descentralizado, qualquer um pode rodar
um nó, ninguém tem controle centralizado da rede.
Mas isso não significa que não existe influência. Existe, sim. O projeto é
mantido por uma comunidade e dentro dela, há figuras com muito mais voz
do que outras, como os membros da antiga Bitcoin Foundation e
desenvolvedores com status de mantenedores.
Não é uma empresa, não tem um CEO. Mas também não é uma anarquia
absoluta. Existem consensos, decisões, pressões políticas internas. E quem
ignora isso, está vendo só a superfície.
Conclusão
Esses fatos não invalidam o Bitcoin — muito pelo contrário. Eles mostram o
quão complexa e robusta é essa criação. Mas quanto mais você entende os
bastidores, mais você percebe que repetir frases feitas pode te deixar com uma
visão limitada do que o Bitcoin realmente é.
Escassez? Sim, mas em satoshis.
Descentralização? Sim, mas com nuances.
Sem dono? Sim, mas com influências.
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